
Guga e Ronaldo: agonia em praça pública (Fotos AFP e AP) Difícil falar de Ronaldo e Gustavo Kuerten sem cair na vala comum. Semana histórica essa. O país assiste a dois de seus maiores ídolos de todos os tempos numa batalha invencível contra o próprio corpo.
Gustavo Kuerten e Ronaldo até que possuem muitos pontos em comum. Quando começou a cair de produção anos atrás, muita gente achava que era desleixo de Guga: "Está desmotivado". Até o mundo conhecer seu problema no quadril. Guga tentou, mas arrasta-se em quadra há pelo menos dois anos. Como ele mesmo disse, aos prantos, na Costa do Sauípe: "Quero que vocês entendam que não estou parando porque eu quero. Estou parando porque não consigo mesmo".
Essa é a frase do ano até agora. Pelo menos até Ronaldo falar...
A pança com a qual Ronaldo chegou à Copa de 2006 não mentia: ele estava desleixado e desmotivado. Mas, mesmo gordo, ainda era craque e quem assistiu à sua última grande exibição, contra o Napoli, na estréia de Pato, sabe bem disso. Acontece que Ronaldo, assim como Guga, simplesmente não consegue mais. E de novo o mundo todo assiste à sua agonia em um campo de futebol, ao vivo e a cores.
Em 2002, antes da Copa, escrevi que o Fenômeno era um ex-jogador. Ele vinha de dois tendões estourados no joelho. Mordi a língua, com enorme prazer. Não quero escrever isso de novo antes de o próprio anunciar o adeus, como já fez Guga. Sempre fica aquela esperança de que, como se fosse o Rocky Balboa do futebol, Ronaldo vá se reerguer, todo ensangüentado, e partir para cima do Drago no último round, como se estivesse novinho em folha (estou ficando velho ou todos sabem do que estou falando?).
Mas a sensação real é de que perdemos de uma vez por todas dois dos maiores ídolos que este país já teve. Duro é saber que outros Ronaldos virão -- e dois deles já despontam no próprio Milan. Outro Guga, dificilmente a gente vai ver.
Essa batalha dos dois ídolos por um último respiro de competição só engrandeça as histórias de vida de Gustavo Kuerten e Ronaldo Nazário.
Eu vi Careca, Romário, Van Basten. Não discuto quem foi o melhor deles, porque isso é muito relativo. De uma coisa, porém, não tenho dúvida: Ronaldo é o centroavante mais importante da história da Seleção Brasileira. E isso não é pouca coisa, não.
Via André Rizek

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